terça-feira, 25 de abril de 2017

ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS LEITEIROS NO PERÍODO SECO parte 2

Postada por Salvador Maciel

2.  Silagem de milho
Alimento maravilhoso

O milho é uma planta recomendada para ser ensilado, pois possui boas características agronômicas e fermentativas. Sua produção por área é relativamente elevada e sua composição bromatológica é excelente para se fazer uma boa silagem, são eles: matéria seca entre 30% a 35%, teor de carboidratos solúveis mínimo de 3% na matéria natural e baixo poder tampão (NUSSIO et. al., 2001). Apresenta boa aceitação pelas vacas leiteiras.

Em nossa região o milho é plantado de setembro a março, com o objetivo de alimentar os animais durante a seca.
Setembro a dezembro é chamada de safra e de janeiro a março safrinha, sendo eu o milho safrinha normalmente aproveita a fertilidade deixada pelo milho safra.

Como mostrado por MOREIRA et al., (2001), a silagem de milho quando fornecida como a única fonte de volumoso ou associada a outras fontes volumosos aumenta a digestibilidade.

As dietas contendo silagem apresentaram o maior consumo de matéria seca,  reflexo da maior digestibilidade. Com o aumento do consumo, houve também o aumento da produção, uma vez que há uma correlação positiva entre o consumo de nutrientes e a produção de leite (NOLLER et al., 1997).

A silagem pode ser utilizada como a única fonte de volumoso dado para as vacas, porém quando se da mais de uma fonte de volumoso normalmente a alimentação fica melhor diminuindo o custo com ração concentrada.

A silagem de milho na zona da Mata de Minas pode ser plantada, porém tem produtores que vendem o milho picado pronto para ensilar e a silagem já ensilada

Para comprar o milho picado pronto para ensilar esta custando de R$150,00 a 200,00 a tonelada sem contar o frete. Quanto mais entrar o inverno maior fica este preço.

O milho ensilado também é comercializado, porém eu esse modelo apresenta alguns problemas. Este produto é um milho que já foi ensilado e esta pronto para se consumido, então você compra e reensila em sua propriedade. Não tem a mesma qualidade do milho picado pronto para ensilar e custa o mesmo preço. Agora produtores que não produziram silagem e não compraram silagem na hora certa, acabam tendo que comprar este produto quando a seca aperta e o pasto acaba.

Produzir silagem na propriedade tem suas vantagens e seus problemas:

Vantagens:
1.  Preço final muito abaixo da silagem comprada pronta. No ano de 2016 na região da Serra do Funil a fazenda Água Clara produziu silagem a R$ 110,00 a tonelada.
2.  Qualidade do material a ser ensilado muito melhor que o material comprado.
3.  O calcário e o adubo lançados no terreno ficam na terra e fertilizam a propriedade.
4.  Não tem custo de frete

Riscos:
1.  Em caso de seca ou praga pode-se perder a produção.
2.  O investimento inicial é alto.
3.  A responsabilidade pela mão de obra trator adubo semente capina é toda sua.

Onde se pode economizar e onde ficar atento:
1.  Horas de trator, quando trator é alugado temos de tomar cuidado para não pagar horas não trabalhadas e horas rodadas sem necessidade.
2.  Mão de obra de apoio na hora da colheita e ensilagem evitar excesso de mão de obra, pois atrapalha o sérico e em vez de ajudar acaba atrapalhando e saindo muito caro.
3.  Trabalhar com dois tratores um para colher picar e derramar a silagem no silo e outro para compactar o material a ser ensilado.
4.  Capinar rapidamente para a brachiaria não ganhar força e prejudicar a cultura do milho.
5.  Colher no ponto certo nem antes nem depois.
6.  Regular bem a máquina ensiladeira para cortar as partícula do milho entre 1 e 2 cm, pois isto melhora a digestão da partícula ou seja aumenta a digestibilidade.

Como calcular a necessidade de silagem irei precisar para passar o período seco?
1.  Definir a quantidade que irei fornecer para cada animal por dia, entre 10 kg e 50kg.
2.  Determinar quantos animais irá alimentar.
3.  Determinar quantos dias de seca se espera passar.

Ex:
30 kg/vaca /dia
20 vacas
120 dia de seca.
20 vacas x 30kg /vaca dia = 600kg /dia
600 kg x 120 dias = 72000kg no período
1ha de milho fornece 40000kg de silagem.
Precisa-se de 72000 kg pra passar a seca, será necessário plantar aproximadamente 2ha de milho.

Como eu utilizo na minha criação?
1.    Dou silagem de milho para as vacas de maior produção acima de 15kg.
2.    Vacas de produção acima de 15kg/leite/dia 30 kg de silagem de milho + pasto rotacionado + ração concentrada + mineral a vontade
3.    Vacas com pouca produção novilhas e garrotas uso silagem de capim.
4.    Vacas com produção abaixo de 15/kg de leite/dia 30 kg de silagem de capim napier + pasto rotacionado + ração concentrada conforme produção +mineral a vontade.
5.    \novilhas e garrotas a pasto – silagem de capim napier 10kg + pasto com macega + sal proteinado + mineral.

QUALQUER DÚVIDA, CRITICA OU SUGESTÃO FAÇA CONTATO
  

domingo, 23 de abril de 2017

ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS LEITEIROS NO PERÍODO SECO parte 1

publicada por: Salvador Maciel


Entrando o outono, diminui a temperatura, as chuvas ficam mais esparsas e em menor volume estamos no período de transição das águas para o período seco. O pasto começa a amarelecer, o capim inicia o florescimento a qualidade nutricional da pastagem decai.
Com a diminuição da qualidade nutricional do pasto surge a necessidade de suplementação na alimentação, tanto volumoso quanto concentrado.
Quem se planejou e trabalhou bem durante o período das águas provavelmente terá volumoso de qualidade para este período de seca que estamos para entrar, já quem contou com a sorte, não se planejou e não produziu alimento volume para se consumido no inverno provavelmente ira passa necessidade e suas vacas.
A partir de hoje discutiremos o uso de diversas técnicas para alimentar vacas leiteiras durante o período seco

PRINCIPAIS ALIMENTOS VOLUMOSOS UTILIZADOS DURANTE O INVERNO NA REGIÃO SUDESTE DO BRASIL:
1.  Capim de Corte.
2.  Silagem de milho.
3.  Cana com uréia.
4.  Feno.
5.  Cevada (polpa de cervejaria)
6.    Aveia preta irrigada.

PRINCIPAIS ALIMENTOS CONCENTRADOS UTILIZADOS PARA ANIMAIS LEITEIROS NA REGIÃO SUDESTE DO BRASIL.
7.    Fubá integral.
8.    Farelo de soja.
9.    Farelo de algodão 38%
10. Farelo de algodão 28%
11. Polpa de citrus.
12. Farelo de trigo.
13. Uréia.
14. Sal proteinado.

1.    Capim de corte - O capim elefante comum (Pennisetum purpureum, Schum) é de origem africana. Foi uma das primeiras gramíneas a ser introduzido no Brasil na década de 20.
O principal atributo desta forrageira é sua alta produção de forragem quando submetida a cortes frequentes, adubada e irrigada. Apresenta ótima resposta à adubação (NPK).
Pode ser utilizado para:
1.1 Corte dado fresco aos animais,
1.2 Ensilar
1.3 Pastejo em sistema de piquetes rotacionados.

1.1 Uso capineira -
Nas regiões sul, centro sul fluminense e zona da mata mineral, o capim elefante é muito utilizado na alimentação de vacas leiteiras fornecido no cocho, após picado. Praticamente todas as propriedades leiteiras destas regiões têm uma área de capim elefante.
As vantagens apontadas para este sistema são: o maior aproveitamento da forragem produzida, diminuição de perdas no campo, diminuição da área destinada a alimentação do gado, gramínea de alta produção por ha.
A desvantagem é a perda rápida do valor nutritivo com a idade, custo com mão de obra para o corte, difícil de manejar e manter a qualidade durante todo o ano, na hora que o produtor mais precisa (durante a seca), ele esta com baixo valor nutritivo.
Mesmo estando presente em quase todas as propriedades as capineiras são sempre, mal manejadas.
0 seu manejo, visando ao máximo rendimento por área, deve levar em consideração a adoção de alturas de corte corretas, além de adubações químicas e orgânicas de estabelecimento e cobertura.
A altura recomendada recomenda para corte da capineira para uso no cocho é quando o capim apresentar entre 1,50 e 1,80 m, visando obter quantidade e qualidade da forragem.
Recomenda se cortes rentes ao solo quando: a planta atingir 1,80 m, ou a cada 60 dias, no verão, ou quando atingir 1,50m, no inverno. Após cada corte deve se aplicar adubação nitrogenada e anualmente avaliar a fertilidade do solo e proceder a correção e adubação da área conforme recomendado a partir da analise.
Esta adubação nitrogenada a cada corte é interessante para que a capineira fique com diferentes alturas e sempre seja cortada próxima da altura ideal. Caso deixe para se aplicar a adubação nitrogenada toda de uma só vez o capim cresce de forma homogênea e parte dele passara da altura ideal de corte.

1.2         Ensilagem de napier –
Como quase todas as propriedades da região possuem capineiras mal manejadas, pode se utilizar esta para ensilar durante o período de verão para alimentar animais durante a seca.
O capim Napier, como a maioria das gramíneas , em nossa região tem um crescimento muito forte no período das águas, (setembro a abril),  e se corretamente adubado, fornece um corte a cada sessenta dias aproximadamente.
O capim elefante é uma das forrageiras tropicais que produzam maior rendimento de biomassa por unidade de área, e a maioria dessa, produção ocorre na época chuvosa. No entanto, a conservação de forragem de capim elefante sob a forma de silagem, embora constitua uma alternativa razoável, ainda é prática muito pouco empregada na alimentação animal.
Alguns técnicos gostam de falar mal da silagem de Capim, alegando que ela é pior que a silagem de milho, não que ela seja melhor ou pior, porém quando se tem em uma propriedade uma capineira mal manejada se perdendo é interessante utilizar o material da capineira e ensilar. Evita-se o corte diário de capim, O produtor terá mais alimento para passar o período seco. Serve para vacas de produção até 20 kg de produção de leite por dia, novilhas garrota e bezerras.
O teor de matéria seca do capim-elefante parece ser um fator limitante a sua utilização como forrageira para ensilagem. É-preciso saber que altos conteúdos de água, no momento da ensilagem, são indicadores de baixa qualidade do material ensilado, como altos valores de pH e elevadas concentrações de ácido butírico e: amônia, entre: outros.
A silagem de capim elefante apresenta baixo conteúdo de nitrogênio e baixa digestibilidade, resultando em baixo. desempenho dos animais, quando alimentados exclusivamente com esse volumoso (Vilela et al., 1983), necessitando suplementação energético proteica  para .melhor performance animal (Cruz & Vilela, 1986).
Alguns técnicos indicam que a pré murcha é eficiente na elevação do teor de matéria seca de forrageiras a serem ensiladas. Outros afirmaram que essa prática normalmente dificulta o corte, independente das condições climáticas, e aumenta as perdas de nutrientes no campo. Em minha prática observei que com a pré murcha a qualidade da silagem é melhor, (mais homogênea sem áreas de mofo e com bom odor).

Como eu faço:
Corto o capim por dois dias seguidos e a partir do segundo dia divido a turma parte do grupo inicia a picagem e a ensilagem e outra parte da turma continua cortando o capim.

Aditivos
Vilela et aI; (1984) testaram a aplicação de diferentes aditivos por ocasião da ensilagem.de capim-elefante. verificaram que os teores médios de MS, PB e fibra das silagem foram semelhantes e quê o consumos de MO, e as digestibilidade da: MO e da PB não apresentaram diferenças significativas entre os tratamentos. Sugerem que cuidados  na ensilagem; como boa compactação e vedação do silo, podem ser mais importantes dá que o uso de aditivos.
Bolland et aI. (1980) estudaram o efeito da suplementação energética e energético proteica de vacas em lactação durante a época seca, em três tratamentos:
a) vacas, em pastagens de capim gordura + silagem de capim elefante + 0,5% de uréia, à vontade, correspondendo ao tratamento testemunha;
b) testemunha + 5,2 kg/vaca/dia de um suplemento energético;
c) testemunha + 5,2 kg/vaca/dia de um suplemento energético proteico. Observaram que os tratamentos, com suplementação permitiram maior produção de leite que o tratamento testemunha e que a suplementação energético proteica permitiu aumentar a produção de leite em cerca de 56%.

Como eu utilizo na minha propriedade:
Vacas até 22 kg de leite - 30 kg a 50 kg de silagem + pasto rotacionado de Brachiaria decumbens + suplementação proteica energética conforme produção de leite + suplemento mineral a vontade.

Novilha e garrotas – 10 kg de silagem + pasto de Brachiaria a vontade e 1 kg de concentrado proteico energético +suplemento mineral a vontade.

1.3  Pastoreio de Napier –
No início da década de 80, a Embrapa Gado de Leite iniciou os trabalhos com capim-elefante sob pastejo, visando à intensificação da produção animal.
O capim elefante para ser utilizado em pastoreio e não morrer, deve se adotar o sistema de pastejo rotacionado com um dia de uso pelas vacas e de trinta seis a quarenta quatro dias de descanso, a cada corte deve-se aplicar adubação nitrogenada para estimular o crescimento de folhas e uma vez por ano proceder a correção e adubação completa conforme recomendação feita a partir de análise do solo.

Como eu utilizo: o pastejo rotacionado pode ser utilizado de setembro a abril, nos meses de inverno em nossa região mesmo irrigado ele desenvolve pouco, devido ao frio, havendo necessidade de suplementação de volumoso. O capim napier é de difícil manejo quando utilizado em pastejo, pois, sua altura de entrada é de 1m e a saída com 0,60m, além disto, ele não é muito resistente a cigarrinha das pastagens.
Eu uma vez semeie capim mombaça no Napier tentando substituir um pelo o outro,  passei a fazer um descanso 28 dias entre os pastejos e coloquei a altura de saída de 0,30m. Fiz tudo achando que o napier iria ser dominado pelo mombaça, o que aconteceu? O napier e o mombaça Passaram a conviver e nenhum dominou o outro a pastagem ficou mais rica e as vacas mais bem nutridas.


terça-feira, 14 de junho de 2016

O Ciclo PDCA na prática Por Ricardo Ferreira Godinho postado em 31/03/2016 milkpoint


 
No artigo anterior, apresentei a teoria a respeito do Ciclo PDCA e uma sugestão de passos para sua adoção. Como sempre vem a discussão entre teoria e prática, e seria longo colocar um exemplo de aplicação no mesmo artigo, optei por deixar o artigo deste mês apenas com a apresentação de sua aplicação, com números e fatos reais.

Entre os diversos problemas de uma fazenda, é preciso primeiramente dados e fatos para identificá-los, assim como foco para agir de forma a priorizar os mais impactantes, pois não dá para atuar de forma eficaz em todos os problemas ao mesmo tempo, embora na prática, sabemos que isso acaba acontecendo, e então vem aquela sensação de que estamos como bombeiros, "apagando fogo".

A assistência técnica tem papel muito importante neste processo, assim como as pessoas diretamente envolvidas com o problema, os quais poderão subsidiar aspectos técnicos e práticos. O problema escolhido para exemplificar será a Morte de Bezerras/Novilhas acima do desejado.

1° Passo – Conhecimento da situação atual

Fundamentado em dados e fatos, identificado o problema que se deseja atuar, agora é reunir o máximo de informações sobre o mesmo. No ano de 2010, o problema maior de mortalidade era na fase do nascimento até 60 dias (Gráfico 1).


Gráfico 1 - Percentual de mortes por faixa de idade de bezerras em 2010. Fonte: Arquivo do autor.

Os dados evidenciam que no ano de 2010 a maior mortalidade ocorria em bezerras com até 60 dias de vida (68,3%), e avaliando o processo de cria identificou-se que este número elevado era decorrente de falhas na colostragem e vacinação das vacas no período pré-parto. Na ocasião, as causas do problema foram identificados e feito um PDCA, sendo que o resultado pode ser constatado nos anos seguintes (Gráfico 2), no qual observa-se que esta mesma faixa etária representou em torno de 30% das mortes, e em 2015 representou 29,4% das mortes. Porém, a fase acima de 180 dias que em 2010 era 14,64% das mortes, em 2015 representou 36,8% das mortes, ou seja, antes o problema estava na fase de aleitamento/casinhas, e agora o problema mudou. Fases de criação diferentes, provavelmente causas diferentes.


Gráfico 2 - Percentual de Mortes e idade de Bezerras em 2013. Fonte: Arquivo do autor. Na Figura 1 observa-se que as principais causas de mortes, aplicando a Teoria de Pareto (tema abordado em artigo de julho - Controlar para decidir), cinco "causas" representam 79,4% das mortes e entre elas, a tristeza parasitária corresponde a 29,4%. Entretanto, em segundo lugar está a causa "desconhecida", indicando uma falha de diagnóstico da causa da morte (a maioria dos animais são necropsiados), falha no controle ou no lançamento dos dados. Em seguida com 11,8%, estão as mortes suspeitas de clostridiose.

Pelo Diagrama de Pareto, o segundo grupo com 4 causas das mortes, representam 11,8% e as demais 6 causas somam 8,8%. Ou seja, as causas a serem trabalhadas por prioridade são: Tristeza, Clostridiose, Diarreias, Pneumonias e as falhas que levaram ao alto número de causas desconhecidas, sendo que para este último, é necessário uma análise a parte, pois trata-se de um problema com causas distintas das ocorrências de doenças.


Figura 1 - Causas das mortes de animais jovens em 2015. Fonte: Arquivo do autor.

Analisando o controle sobre época, idade e data em que ocorreram estas mortes, observou-se que não houve uma estacionalidade nas ocorrências, e apenas a morte por tristeza parasitária chama atenção pelo maior número de ocorrências nos meses de setembro a dezembro. As mortes por diarreias ocorreram mais na fase até 60 dias de vida.

Os diagnósticos são realizados por meio de observação visual dos animais, medição da temperatura corporal e o uso do hematócrito, e eventualmente, análises laboratoriais. Soma-se a estes dados outras informações de manejo geral, nutrição e alimentação, tipos de protocolos de tratamentos realizados, como é realizado a desmama, como é feito a transição pós desmama, vacinações (tipos e época), controle do carrapato, resultados de análises laboratoriais (órgãos de alguns animais foram enviados para diagnóstico de agentes), tudo com o objetivo de conhecer o máximo sobre o problema que está sendo avaliado.

2° Passo – Identificação e avaliação das causas prováveis

Evite intervir nos processos de forma precipitada, com meras opiniões ou baseado apenas em experiência. Afinal, as decisões devem ser tomadas com base em fatos e dados confiáveis e atualizados. Dando continuidade ao exemplo, as possíveis causas foram:

• Falhas no controle de carrapatos;
• Dificuldade de diagnóstico das doenças;
• Contaminação das caixas d'água e cochos por fezes de garças;
• Resíduos de alimentos nos cochos dos animais;
• Demora para cura de umbigo de bezerras no pré parto;
• Falha da mão de obra ao executar os procedimentos de diagnóstico e tratamento;
• Falha nos controle dos tratamentos;
• Falhas na definição de dosagens e protocolos de tratamentos;
• Provável uso excessivo de medicamentos;
• Superlotação dos piquetes.

3° Passo – Geração e avaliação de alternativas de solução

Na avaliação de alternativas de solução, devem-se definir as soluções mais viáveis sob o ponto de vista técnico, econômico, levando em conta ainda a aplicabilidade de acordo com a realidade da fazenda, dos funcionários/produtor, e que estejam em sintonia com os objetivos da fazenda. Continuando com o exemplo:

1) Realizar treinamento de diagnóstico e tratamentos das doenças;
2) Adotar sistematicamente o uso de hematócrito para diagnóstico e monitoramento do tratamento da tristeza parasitária;
3) Realizar diagnóstico diferencial da babesiose e piroplasmose;
4) Eliminar a contaminação pelas garças;
5) Aumentar a frequência de limpeza das caixas d'água;
6) Limpar os cochos com mais frequência e eficiência;
7) Apertar calendário de vacinação contra clostridiose;
8) Melhorar /Agilizar a cura de umbigo;
9) Fazer treinamento sobre controle dos tratamentos.

Observe que as alternativas 3 e 4, estão em grifo porque apresentam obstáculos para sua implantação: a 3 pela inviabilidade atual de realizar o diagnóstico na fazenda, custo e distância de um laboratório, embora algumas amostras possam ser enviadas; e a 4, por ser animais silvestres, não há o que fazer com as garças, mas há como limpar e desinfetar melhor as caixas (alternativa 5), acrescentando a melhora na desinfecção das mesmas.

4° Passo – Planejamento das ações

Agora é preciso elaborar um plano de ação, isto é, o que deve ser feito, quem fará, como e onde fazê-lo, estabelecendo um cronograma das atividades e dimensionando quanto será necessário para que a ação seja efetivada, com o uso do 4Q1POC ou 5W2H. Voltando ao exemplo:

PLANO DE AÇÕES
Data elaboração: 26/01/16 Responsável Geral: Sandra
Objetivo: Reduzir a mortalidade de novilhas
Meta: Reduzir em 30% o número de animais mortos em 2016 em relação ao ano de 2015.


(clique para ampliar*)

Observe que cada item "O que fazer" da planilha 4Q1POC corresponde às ações identificadas e selecionadas no 3° Passo. Outra opção para este momento de planejamento é priorizar as ações mais impactantes e viáveis.

Etapa II do PDCA: D (Do = desenvolver, fazer, executar)

5° Passo - Implementação da Ação

Agora é mão na massa! Implantar as ações, fazer ajustes de datas e procedimentos se necessário. Planejar só no papel e deixar este planejamento na gaveta ou em um quadro a mostra não garante sua implantação. Agora é agir.

Etapa III do PDCA: C (Check = "checar", verificar)

6° Passo - Verificação

No exemplo em questão: o problema era a mortalidade de bezerras, principalmente pelas doenças selecionadas como as principais. Uma forma de verificar o resultado neste caso é verificar se as ações planejadas foram e estão sendo executadas a contento. Além disso, levantar os diagnósticos realizados, como as pessoas estão agindo, se as mudanças que foram realizadas no início, continuam sendo executadas, se foram incorporadas no dia a dia.

O monitoramento pode e deve ser feito durante todo o período e/ou processo. Estamos em março, e constata-se que em janeiro houve mortes de animais no período anterior a implantação do plano, mas em fevereiro após o treinamento sobre diagnóstico, nota-se uma pequena melhoria nos diagnósticos, as amostras estão sendo coletadas e enviadas ao laboratório, etc.

Etapa IV do PDCA: A (Action = agir)

No exemplo sobre a mortalidade de novilhas, no 6° Passo (verificação), constatou-se que nos meses de janeiro e fevereiro de 2016, ocorreram mortes de animais na faixa etária que se deseja atuar, as melhoras começam a ser percebidas, e ações como melhoria no diagnóstico e tratamentos já geraram resultados satisfatórios, o que evidencia que a avaliação das causas, busca e seleção de soluções e o plano de ação, foram feitos de forma satisfatória.

7° Passo - Padronização

No exemplo utilizado, se o processo como está sendo executado, está gerando resultados, ele pode ser padronizado, ou seja, as pessoas envolvidas devem continuar realizando as tarefas como foram planejadas. Assim, devem-se manter os protocolos de diagnóstico e de tratamentos das doenças, os cuidados de limpeza, enfim, todas as ações que foram planejadas.